A história -O primeiro Círio aconteceu no dia 10, segundo domingo de agosto, de 1958. Organizado e financiado pelo comerciante Francisco Borges de Castro, o "seu" Chiquinho Borges, com era conhecido. O Círio resultou do pagamento de uma promessa feita por ele a Nossa Senhora de Nazaré. Em fevereiro daquele ano, Borges descobriu que estava com diabetes. Em Belém, fez os exames que comprovaram a gravidade de seu estado. De volta a Tracuateua, sem seguir as recomendações medicas, preferiu um tratamento a base de tucupi de macaxeira-chapéu, verduras e legumes. Fez uma dieta, ingerindo bastante leite e excluindo a gordura, o sal e o açúcar de sua alimentação.
Prometeu à Nossa Senhora de Nazaré que, caso ficasse curado da doença, iniciaria uma romaria em louvor à santa, padroeira dos paraenses. Quatro meses depois, novos exames revelaram seu restabelecimento.
Ainda em Belém, Chiquinho, tratou de dar a boa noticia à esposa, Maria Ferreira de Castro, a ‘dona’ Joaninha, como era conhecida na vila. Pediu a ela que providenciasse uma dúzia de fogos de artifícios para a sua chegada, em Tracuateua.
Ao desembarcar na vila, foi recepcionado por varias pessoas e, sem se separar da pequenina imagem de da Santa que trazia consigo, percorreu varia casas do lugar.
A partir daquele momento, começaram os preparos para a procissão do promesseiro, que viajou para São João de Pirabas, juntamente com o carpinteiro Juvenal. O Círio daquele município serviu de modelo para os planos de Borges.
Foram confeccionados o Carro dos Anjos, formado por crianças e a Barquinha que servia para transportar a imagem da santa e marinheiros mirins. A Barquinha era carregada por seis homens vestidos de marinheiro. Foi construído um Carro dos Milagres, onde os romeiros depositavam oferendas à Virgem.
A procissão era composta ainda, por uma corda de quarenta metros, que circundava a imagem; à frente, vários cavaleiros de uniformes brancos e um cavaleiro vestido de São Jorge. Tudo foi providenciado por Chiquinho e abençoado por padre Paulino que, no sábado à noite, celebrou uma missa em homenagem à Virgem de Nazaré. Logo após a celebração, a imagem foi conduzida até a casa do promesseiro, onde passou a noite.
Nos primeiros anos, a procissão saia sempre da casa de ‘seu’ Chiquinho, após três anos, ela passou a sair da Escola Isolada. A partir de 1961, o Círio passou a ser realizado no terceiro domingo de agosto. Nos últimos anos, a procissão saiu da sede da Associação de N. Sra. de Nazaré, na Av. Nazaré.
Figuras interessantes na festa religiosa criada em Tracuateua são os juizes e juizas da procissão, promesseiros que se comprometem em patrocinar, a música e a alimentação dos músicos, nos dias da romaria. Isso acontece até os dias de hoje.
Chiquinho Borges organizou o Círio por cinco anos. Depois, por desentendimentos com o vigário Ângelo Maria Abeni (nomeado pároco em 1961), deixou a organização do círio por conta da Igreja. Durante os círios que realizou, angariou recursos para a construção da igreja de Nossa Senhora de Nazaré. Comprou o terreno de Joca Gomes, um dono de sesmaria da época, com a idéia de construir um complexo abrigando a igreja, salão paroquial e casa para o padre. Chegou a iniciar a construção da igreja mas, na mesma época, já estava sendo erguida a atual igreja de São Sebastião. Padre Abeni resolveu continuar a construção desta igreja, com os recursos repassados por Chiquinho Borges. Atualmente, no local em que foram iniciadas as obras da igreja em homenagem à Nossa Senhora de Nazaré, funciona a casa paroquial.
Apesar de receber uma das maiores festas em seu louvor, no município, até hoje Nossa Senhora de Nazaré não possui uma igreja em sua homenagem, em Tracuateua.
Círio 2007 |